Preocupação para fora da sala de aula

Fonte Mão Cooperadora - 11/12/2014 - 15h55min
Preocupação para fora da sala de aula

A preocupação começa quando a licença maternidade termina e os pais se perguntam: meu bebê ficará exposto a doenças ao ingressar na escolinha? Segundo especialistas, esta dúvida que relaciona saúde e escola é válida e não se esgota na primeira infância, indo além da educação infantil.

Na faixa etária que vai até os 2 anos, definida pela Organização Mundial de Saúde como primeira infância, a maior preocupação dos pais está relacionada à imunidade dos pequenos. “O sistema imunológico só amadurece completamente por volta dos três anos. Se a criança for para a escola antes disso, no meio de muitos coleguinhas, certamente vai adoecer, e com relativa frequência”, diz a pediatra neonatalogista Rosângela Garbers, do Hospital Pequeno Príncipe (HPP).

Gastroenterites e resfriados

As doenças mais comuns transmitidas entre as crianças nesta idade são as viroses, segundo Gil­berto Pascolat, chefe da Pediatria do Hospital Evangélico. “Elas causam gastroenterites [dores no estômago, acompanhadas de vômitos ou diarreia] e resfriados, que têm o risco de evoluir para quadros mais graves como a otite [inflamação no ouvido], bronquite e faringite”, diz ele.

Mito da imunidade

Mãe de quatro filhos, a pediatra Rosângela defende que quanto mais tarde a criança for para a escola, melhor. “É um mito pensar que elas irão adquirir mais anticorpos quanto antes forem à escola ou que o sistema imunológico vai amadurecer mais rápido”, afirma. A médica explica que no ambiente escolar, a criança estará exposta a vários tipos de vírus de uma só vez e que, em casa, a exposição à carga viral será menos intensa. “O desenvolvimento da criança que fica mais tempo em casa será igual a qualquer outra, com a diferença de que sofrerá menos. É como se ela recebesse essa carga viral em doses homeopáticas”, comenta.

Para quem não tem outra opção senão colocar o bebê cedo no berçário, a médica Isabela Poli assinala a importância da responsabilidade diária dos pais. “Eles não devem mandar seus filhos para a escola ao menor sinal de doença, como um nariz escorrendo, mesmo que este sintoma não seja acompanhado de febre.”

Leite materno

O aleitamento materno é um im­­portante aliado para aumentar a resistência do bebê e ele faz a diferença na hora da criança entrar em contato com outras. A pediatra Rosân­gela recomenda amamentação até pelo menos um ano de idade, mesmo que as mamadas sejam reduzidas para apenas duas vezes por dia após o fim da licença maternidade. “O aleitamento materno faz com que o bebê fique menos predisposto às doenças”, diz.

Vacinas extras

Outro aspecto importante da prevenção é ressaltado pelo pediatra infectologista do HPP Victor Horácio de Souza Costa Júnior: além de manter a vacinação em dia, os pais podem reforçar a imunidade com outras que não fazem parte do calendário oficial do Ministério da Saúde. A principal delas, considerada por Pascolat, é contra a varicela, que deve ser tomada até um ano de idade. “A doença é perfeitamente evitável com a vacinação, que é barata e de dose única”, diz ele. Outra que pode ser tomada até um ano de idade é contra a hepatite A, doença que, em 70% dos casos, pode desenvolver complicações, segundo o pediatra.

Mas as vacinas não são capazes de prevenir todas as viroses. Ainda não existe vacina para tratar o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de internamento de crianças com até dois anos em todo o país, conforme dados da Sociedade Brasileira de Imunizações. Com picos de incidência entre fevereiro a agosto, o vírus causa bronquiolite – inflamação das vias áreas do pulmão que causa dificuldade respiratória – que pode ter consequências mais graves, levando as crianças a internações e até à morte, no caso de recém-nascidos e prematuros. Seus sintomas são os mesmos de um resfriado comum: tosse, espirros, nariz escorrendo e, por vezes, febre.

Objetos individuais

Na primeira infância, uma forma de tentar reduzir a exposição das crianças ao perigo das contaminações na escola é separar objetos pessoais: cada um deve ter sua própria chupeta, mamadeira, brinquedos e talheres.

A médica Rosângela Garbers, do HPP, lembra que uma criança pode ser portadora de algum vírus mas não desenvolver sintomas e, assim mesmo, transmiti-lo para outros bebês por meio do compartilhamento de objetos.

A escola de educação infantil Vovó Chiquinha adotou a prática de higienizar cada brinquedo após o uso, como explica a diretora e mestre em Educação, Ana Maria Macedo Lopez. Ainda assim, é preciso ficar de olho porque quando eles começam a engatinhar, aprendem a tirar a chupeta das outras crianças para colocá-la na boca, o que pode resultar em problemas. “A chupeta é um dos piores focos de contaminação porque ela estimula a salivação e, consequentemente, a proliferação das bactérias da boca”, diz Victor Horácio.

Em todo o momento da primeira infância, segundo a psicóloga infantil da Paraná Clínicas Isabela Poli, a escola deve reforçar os hábitos saudáveis que os pequenos aprendem em casa, como manter uma alimentação equilibrada e a rotina dos horários para refeição, brincadeiras, higiene pessoal, pratica de atividade física e dormir. Mas esses ensinamentos ficam ainda mais presentes quando elas crescem e passam para outro nível escolar.

 


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